Texto cuspido e vomitado
Lambendo feridas, arrancando aqui uma casquinha. Não tenho orgulho.
Tenho um prazer masoquista específico. (gancho com meu último texto). Após qualquer término, independentemente do tipo de relação, eu vou na cômoda da minha sala onde fica minha pilha de diários, pego o caderno específico que já sei que terá o que escrevi quando estava conhecendo essa pessoa. Folheio até encontrar e leio. Os primeiros beijos, os primeiros encontros, analisando detalhes, anotando sonhos que O alguém aparecia, descobrindo o perfil do last.fm do dito cujo sem ele me falar e stalkeando incessantemente e anotando que tal dia ele escutou “Cecilia” do Simon e Garfunkel. (Específico demais, circulando galera, circulando). Escrever poemas após um beijo. É realmente como observar um animal histérico de paixão em um zoológico que o eu do presente assombra, caminhando moribunda nos corredores.
Talvez seja masoquismo ou fetiche na nostalgia (será que só sei comparar as coisas com terminologias sexuais?) de quando essa pessoa existia mais na minha imaginação do que na minha realidade. Como é circular uma relação, agora ele também pode existir só na minha imaginação. Problema é que sempre fui muito imaginativa. Deito na minha cama e olho para o teto, imóvel, e consigo quase sentir o toque da pessoa. Olho para a janela do ônibus e alucino a pessoa caminhando na rua como quem quer acreditar que esse corpo físico ainda cruza caminhos com os meus. Procuro trilhas sonoras para o meu sofrimento por um quase algo para escutar no T3 lotado. Só sei sofrer com uma trilha sonora que me conte com palavras melhores que as minhas o que eu estou sentindo. A palavra medo tem aparecido muito em músicas que eu tenho escutado e nas minhas sessões de análise. Desde “Dentes” da Grisa quanto “Smoke and Mirrors” do The Magnetic Fields. Será que o amor além das lágrimas é só medo e sexo? Talvez para nós dois tenha sido. Nos três então, eu, ele e o Stephin Merritt.
A verdade é que morro de medo o tempo inteiro. Me invento e reinvento só porque me aterrorizo com tudo. Ai, que medo me dá entregar meu coração fraco de fumante nas mãos de alguém. Ai, toma aqui ele, por favor, não olha muito perto ou com a luz do teto ligada, por favor.
Que coragem se entregar ao sofrimento mesmo com tanto medo. Mesmo com meu pavor, me entreguei ao pecado da esperança novamente. Parabéns!
Don Nace 'Just Passing Through’

